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Elantris

Romance por Brandon Sanderson

A "stand alone" aventura chamada Elantris por Brandon Sanderson. Um dos maiores escritores de fantasia da atualidade.

Elantris era a capital de Arelon: colossal, linda, radiante e repleta de seres benevolentes que usavam suas poderosas habilidades mágicas em benefício de todos. Mas, há dez anos, uma maldição misteriosa devastou Elantris e os corpos de seus habitantes – que agora vivem a decrepitude em intensa dor. Uma grande história de fantasia, mistério, romance, humor, disputa religiosa e conflitos políticos que demonstra por que Brandon Sanderson tem sido considerado, inclusive pelo mestre George R.R. Martin, um dos grandes autores de fantasia épica da atualidade.

Onde compar

Nós só encontramos cópias usadas do livro, não há estoque da públicação aparentemente, então ou recorre a um sebo, comprei o meu pelo Estante Virtual, ou recorre a um E-reader, o livro está disponível na Amazon.

Sobre o Autor

Brandon Sanderson é de Lincoln - Nebraska, nascido em 19 de dezembro de 1975. Um escritor norte-americano de fantasia e ficção científica. Ele é mais conhecido por sua série Mistborn e The Stormlight Archive, além do seu trabalho ao substituir o também escritor americano Robert Jordan na série de fantasia The Wheel of Time ("A Roda do Tempo"), finalizando-a após o falecimento deste último.

Sanderson trabalhou como editor para a revista independente de ficção, horror e fantasia Leading Edge enquanto frequentava a escola na Universidade de Brigham, onde ele agora ensina periodicamente aulas de escrita criativa. Em 2008 Sanderson começou um podcast com os autores Dan Wells e Howard Tayler, envolvendo tópicos sobre criação e produção escrita e quadrinhos.

No Brasil, teve dois de seus livros publicados nacionalmente pela editora LeYa Brasil, Elantris (lançado em 2012) e o primeiro volume da série Mistborn, Mistborn: The Final Empire, traduzido para o país como "Mistborn - Nascidos da Bruma: O Império Final" (lançado em 2014).

Sobre o gênero Fantasia

Em sua matéria “A afirmação do Impossível” publicada no Jornal de Letras Artes e Ideias de 13 de setembro de 2005, Maria do Rosário Monteiro procura definir o gênero de Fantasia, o que a leva a algumas afirmações.

Primeiro ela coloca que "o fantástico pode ser definido primeiramente como um modo, uma categoria meta-histórica que enuncia o que é impossível, inverosímil ou irreal" também que "uma das características do dito género reside precisamente no seu hibridismo, na capacidade  de mudar de forma, de absorver, adaptar e integrar técnicas de outros géneros.", por isso muitas vezes alguma dificuldade de dissocia-lo de outros gêneros.

Ela ainda afirma que nas obras "o que acontece no mundo fantástico obedece a uma lógica identificável e tranquilizadora, logo adquire a qualidade de <<possível>>" e por tanto consegue assim a atenção do leitor.

Mas, o principal ponto colocado pela autora para a identificação de uma obra como deste gênero seria que fantástico seja “a essência da própria obra", seu ponto central, que toda a trama gire em torno de um elemento fantástico. Assim, pelas suas colocações, poderíamos diferenciar obras de Fantasia de outros romances que apenas utilizam elementos fantásticos pontualmente.

Impressões

"- Surpreendentemente, há pouca informação sobre a Fjorden moderna – Sarene disse, espiando as folhas de um livro tão grande que quase precisara da ajuda para carregá-lo."

Eu imagino que Sarene estava lendo o próprio Elantris, com suas imponentes 574 páginas. Porém são páginas de uma leitura muito simples, suave e fácil.

Ainda assim são muitas páginas, mas foram de certa forma bem aproveitadas, talvez pudesse ser dividido. O livro se divide em três núcleos, que poderiam gerar dois volumes e trazer até mais riqueza a obra. Diferente do que parece acontecer com alguns livros da própria cidade de Elantris:

“- Esses livros contém muita informação.- De fato – Raoden concordou – Ainda que os eruditos que os escreveram possam ser frustradamente pouco claros. Ainda falta muito estudo para encontrar respostas para questões específicas

Neste caso, Sanderson não seria um Erudito, ele é muito claro e até simplista, o que torna a leitura fácil, mas pode trazer algum incomodo por se tratar de uma narrativa de fantasia. A linguagem é completamente moderna e simples, facilita a leitura, mas em alguns momentos pode cortar o clima.

Acho que mesmo que você não seja Fã do Gênero é um livro que pode ser lido para sua introdução, não achei que trouxe grandes novidades ou contribuições ao genero, mas a escrita é suave e acaba compensando isso. 

Mas talvez isso não baste para uma visão otimista se estiver muito mal humorado como a personagem que diz: “Definitivamente não. Vocês, otimistas, não conseguem entender que uma pessoa deprimida não quer que tentem alegrá-la. Isso nos deixa enfermos.”

Entre toda a Política (para mim o tema principal), Romance Obvio e pouca ação o livro pontua uma declarada mensagem de esperança e perseverança, cmo nesses trechos abaixo:

“Quero ver você criar isso. Não acho que possa, mas acho que nos tornará um pouco melhores no processo.”

“- Não, meu senhor, não acho que o faça. Essas pessoas cederam à própria dor, porque não conseguiram encontrar um propósito. Sua tortura era em significado, e quando não se pode encontrar uma razão para viver, a pessoa tende a desistir. Esse ferimento doerá, mas cada punhalada de dor me fará lembrar que ganhei com honra. Não é uma coisa má, penso.”

Também traz contrapontos cômicos em diversos momentos e mais uma dose de Drama Romantico.

Realmente acho que vale a leitura.

* Obs.: Para evitar "spoilers" as citações podem ter mínimas alterações, que não alteram o seu sentido.

Fontes:

Sanderson, Brandon. Elantris. São Paulo: Leya, 2012.

Wikipedia. Brandon Sanderson. Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Brandon_Sanderson.  Wikipédia, a enciclopédia livre. Acessado em 01.set.2020

Monteiro, Maria do Rosario. A afirmação do impossível. Jornal de Letras, Artes e Ideias. Disponível em https://run.unl.pt/bitstream/10362/16148/1/A%20Afirma%C3%A7%C3%A3o%20do%20imposs%C3%ADvel%20JL.pdf.  Portugal: 2005. Acessado em 01.set.2020.

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