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A História do Sci-Fi - Mini Curso por André Campos

A HISTÓRIA DO SCI-FI MINI CURSO MINISTRADO POR ANDRÉ CAMPOS ROLOU 20 SETEMBRO DE 2020 ÀS 15 PM, VIA GOOGLE MEETINGS, CONFIRAM A GRAVAÇÃO   RESUMO De Mary Shelley à Suzanne Collins, o gênero da Ficção Científica se expande por universos sem fim entre a imensidão do desconhecido, mas ainda assim ele consegue ser um dos gêneros mais intimistas, olhando para dentro de nós e fazendo com que nos perguntemos, afinal de contas, como estamos indo para onde queremos chegar, e se o nosso progresso vale a nossa humanidade. A História do Sci Fi : Parte 1:  Um Filho com Dois Pais . Parte 2:  A História de Onde Erraremos! Parte 3:  Não Sabendo que Era Impossível, Foi Lá e Soube! Parte 4:  A Era de Ouro da Ficção. Parte 5:  New Wave! O movimento hippie chega ao Sci-Fi! Parte 6:  Futurismo, parte I: O futuro chegou! Parte 7:  Distopias, Parte II: Como o Modernismo Afetou o Fim do Mundo Parte 8:  Revolução de 80! O Movimento Punk e, sim, Star Wars!...

A História do Sci-Fi (Parte 10 de Alguns) - Notas, Desabafos e Adendos

     Ao longo dessa série, recomendei diversos livros que são historicamente importantes para a Ficção Científica e demonstram ou representam a epítome de um subgênero, movimento, ou época. Em pontos precisei me questionar sobre decisões de recomendações ou sugestões, então determinei para mim mesmo que selecionaria os livros baseados em sua relevância histórico-literária. Enquanto não me arrependo dessa decisão, confesso que ter me furtado a mencionar certos autores e livros deixou-me levemente frustrado, então me permitirei nessa postagem acrescer algumas recomendações de última hora que, apesar de não terem mudado um gênero, representado um movimento ou sido a epítome da escrita de um autor extremamente importante, são leituras que eu fortemente recomendo. "'Eu prefiro ser eu mesmo', ele disse. 'Eu mesmo e sórdido. Não outra pessoa, por alegre que seja.'"     Admirável Mundo Novo é um livro que se nem bem se encaixa no período inicial das Distopias, nem bem...

A História do Sci-Fi (Parte 09 de Alguns) - O Futuro do Futuro!

      A virada do milênio veio e se foi, para muitos autores, estamos no futuro. O eterno debate entre Utopia e Distopia continua mais forte do que nunca e os grandes mecanismos que movem o mundo continuam a girar. Resta a pergunta: para onde vamos daqui? Qual o futuro da Ficção Científica?     Para deixar claro:  minhas publicações até aqui tinham um viés mais de análise literária, mas nesta postagem, tentarei fazer algo um pouco diferente; tentarei analisar para onde vamos à partir de onde estamos. O que estou prestes a apresentar nessa parte da série é especulativo na melhor das hipóteses.     Ademais, como vimos ao longo da série, basta um grande evento, um novo modelo produtivo ou uma produção midiática inovadora e tudo pode mudar no gênero. Gernsback salvou a Ficção Científica ao criar o "pulp", a Guerra Fria mudou completamente o modo como as distopias se entendiam e Star Wars matou o New Age.     E para dificultar um pouco mais m...

A História do Sci-Fi (Parte 8.5 de Alguns) - Star Wars, Ficção Científica e Fantasia

Em seu último artigo ADMC (ADMC, 2020) descreve uma possível confusão ou “amalgama”, se preferirem. Seria “Star Wars” uma obra de Ficção Científica ou uma obra de Fantasia. Confesso que como Fã da série não havia me feito esse questionamento, sempre aceitei o senso comum sobre ser Ficção Científica e a percepção “FÃnatica” de uma mistura de naves espaciais, magias e samurais com “espadas à laser” (não precisam me linchar, eu sei que são “Sabres de Luz”, mas também sei que “laser” é a sigla para “light amplification by stimulated emission of radiation”, ou “amplificação da luz por emissão estimulada de radiação” pense nisso antes de me xingar) Enfim, o artigo “Revolução de 80! O Movimento Punk e, sim, Star Wars” (ADMC, 2020) me levou a uma das coisas que mais gosto, uma pergunta: Star Wars é uma obra de Ficção Científica ou de Fantasia? "Até a recente, GRANDE REBELIÃO, os JEDI-BENDU eram os guerreiros mais temidos do universo. Durante cem mil anos, gerações de JEDI aperfeiçoaram s...

A História do Sci-Fi (Parte 08 de Alguns) - Revolução de 80! O Movimento Punk e, sim, Star Wars!

     Se você acha que as maiores discussões sobre Star Wars estão relacionadas à Ray e sua história na nova trilogia, você certamente nunca viu um grupo de Nerds e aficionados por literatura debatendo sobre qual o gênero literário de Star Wars. Como enfim chegamos à década de 80, não podemos ignorar esse debate.     De um lado, o argumento de que a presença de elementos futuristas como naves espaciais e lasers fazem de Star Wars uma série de filmes de Ficção Científica, de outro, o argumento de que um sistema de magia "hard" e o aspecto mais mítico e mitológico fazem da série Fantasia. Ambos os argumentos, ao meu ver, são igualmente válidos, ainda que se minha opinião pessoal fosse consultada, eu diria que Star Wars cai mais para o lado da fantasia.     O ponto importante aqui, entretanto, não é o gênero de Star Wars, mas o valor que Star Wars teve para a Ficção Científica. Nesse sentido, duas afirmações são igualmente reais e igualmente válidas: ...

A História do Sci-Fi (Parte 07 de Alguns) - Distopias, Parte II: Como o Modernismo Afetou o Fim do Mundo

     A Segunda Guerra Mundial acabara, mas o mundo jamais tornaria a ser o mesmo. A dinâmica de poderes no mundo mudava de uma forma perigosa, enquanto pela primeira vez havia no mundo a noção de que uma guerra nuclear era uma possibilidade no horizonte, e uma possibilidade não de todo improvável. E, como vimos, o reino do possível e do provável são os reinos onde a Ficção Científica adora atuar. "Se há um Deus que nos fez e nós erramos diante de Seus olhos -como George diz - ao menos erramos somente porque somos como Deus nos fez, e eu não acho que Ele deveria fazer armadilhas. Ah, você já devia saber, mais do que George! Não vamos trazer tudo isso de volta ao mundo - o Deus bravo, o Deus cruel - aquele que não nos diz as regras do jogo e aí nos pune quando as quebramos. Não vamos trazê-Lo de volta."     Em Só a Terra Permanece, Stewart nos apresenta um mundo que viu a maior parte de sua população eliminada por uma praga; as poucas pessoas que restam tentam se ...

A História do Sci-Fi (Parte 06 de Alguns) Futurismo, parte I: O futuro chegou!

     O ano é 2010; os primeiros carros elétricos começam a sair dos laboratórios, as discussões sobre a legalização da maconha para uso recreativo são recorrentes e em muitos locais, ele já foi até aprovado. Os grandes polos tecnológicos caíram, Detroit, antes um grande centro de tecnologia, começa a perder foco para locais onde a matéria prima é mais barata.     A parte mais assustadora é que esse não é o contexto em que um livro foi escrito; essa é a premissa de um livro! "Coincidência é quando você não estava prestando atenção à outra metade do que estava acontecendo."    E aqui estou quebrando uma regra cardinal que me havia imposto e recomendando um livro em inglês. Eu não gostaria de (e tentei evitar ao longo de toda a série de postagens) fazê-lo, mas me parece exageradamente trabalhoso, se não impossível, falarmos de Futurismo sem falarmos de "Stand on Zanzibar" (que nunca foi traduzido para o português).     Stand on Zanzibar foi escr...

A História do Sci-Fi (Parte 05 de Alguns) - New Wave! O movimento hippie chega ao Sci-Fi!

      As obras de C. Clarke mostraram que a Ficção Científica se dava à filosofia e ao psicológico, e isso trouxe um novo público ao gênero, e aqui vale um disclaimer: O leitor atento irá reparar que, à exceção de Frankenstein, não tivemos uma presença sólida feminina nos livros indicados: isso não é coincidência; a quantidade de mulheres no Sci-fi durante o período Pulp e a Era de Ouro era pífia, o gênero, por libertários que Asimov e Heimlein tentassem ser, ainda era, em sua essência, machista, homofóbico e, não raro, antissemítico e racista.     Através das portas que Clarke abriu, entretanto, entrariam no gênero novos autores que mudariam a cara que ele tinha e começariam uma verdadeira 'guerra civil' com a Velha Guarda do gênero. Esse período ficaria conhecido como New Wave, mas há dois autores que é importante mencionarmos no caminho entre Clarke e o New Wave: "Nós somos todos tolos", disse Clemens, "todo o tempo. Só somos um tipo diferente a cada dia. Nós...

A História do Sci-Fi (Parte 04 de Alguns) - A Era de Ouro da Ficção.

            Com a decadência do Pulp, muitos de seus grandes nomes partiram a empreitadas individuais. Frutos dessas decisões são os " Fixups ", ou a adaptação de diversos contos publicados pelo mesmo autor para colocá-los em uma sequência lógica. Surgem assim Eu, Robô, de Asimov (que só não vou oficialmente colocar como recomendado aqui por um motivo que explico mais à frente) e um outro livro deveras interessante: " No planeta Marte, à margem de um mar morto, havia uma casa com pilastras de cristal, e a cada manhã era possível ver a senhora K saboreando os frutos dourados que cresciam das paredes de cristal, ou limpando a casa com punhados de poeira magnética que se grudava à sujeira e se dispersava depois no vento morno."     Em "As Crônicas Marcianas" Ray Bradbury (sim, é a segunda recomendação dele nessa série) nos apresenta uma sociedade marciana à qual nos podemos comparar e, à seu já tradicional estilo de crítica social, usa o "o...

A História do Sci-Fi (Parte 03 de Alguns) - Não Sabendo que Era Impossível, Foi Lá e Soube!

       Na Parte 02 dessa série falamos sobre como H. G. Wells permitiu que a Ficção Científica alcançasse os altos círculos e se permitisse ver como um gênero literário nobre, mas houveram também aqueles que trabalhassem a popularização do gênero e tentassem deixá-lo mais comercial. Mais do que isso, talvez, a postagem de hoje serve para falar um pouco sobre como se inicia a americanização do gênero.     Mal... Se inicia mal.     Estamos na década de 20: A confecção do papel de 'pasta de madeira' (" pulp" ) havia recém se aperfeiçoado, as prensas à vapor haviam se popularizado na cena americana, a educação massificada garantia uma parcela majoritária da população letrada e a vasta oferta de autores praticamente garantia que não haveria demanda para tudo que tentava encontrar o mercado. Entra em cena Hugo Gernsback, um homem que ouviu que suas ideias não tinham como dar certo, mas não se deixando abalar pela opinião alheia, provou a todos... Que el...